[Chegámos a África. Aterrámos em Cape Town. São 6:30 da manhã. Apanhamos um táxi, aproveitamos e pedimos a um guia (Jerry) para nos orientar no único dia que passaremos na cidade. Ficamos alojados no Tulip Hotel, um hotel modesto mas muito bem localizado no centro da cidade. Um par de horas mais tarde, o Jerry vem-nos buscar.]
Entrámos para a carrinha do Jerry e ficámos estacionados em frente ao Hotel Tulip desde a chegada dos primeiros navegadores portugueses ao Cabo, passando pelo fim do Apartheid na África do Sul até ao futuro da sua selecção em 2010. Jerry fala pelos cotovelos. Evoca as epopeias dos descobrimentos mas vai revelando encobrimentos que julga poderem ter fugido ao olhar do turista branco. Emociona-se com a luta anti-racista. Envolve-nos com as suas memórias de um comício de Mandela após a sua libertação de Robben Island. E entusiasma-se especialmente quando se fala de futebol… Não, não é por causa do Cristiano Ronaldo. É por causa dele. Ele é que joga futebol. Conhece bem algumas das estrelas do futebol português mas prefere falar-nos sobre a traição do seu joelho que impediu a sua consagração como astro do futebol Sul-Africano. 2010 está aí ao virar da esquina e Jerry, apaixonado pela África do Sul e por futebol não consegue esconder a sua ansiedade.
Ao fim de léguas e léguas de história lá arrancámos para um périplo pelas principais atracções da Cidade do Cabo seleccionadas por Jerry: Castelo da Boa Esperança, Museu District Six, miradouro da Montanha da Mesa (Table Montain), V&A Waterfront… e a esplendorosa e magnífica baía.
Jerry, o grande contador de histórias; Jerry o menino que fugiu ao seu pai para ir ver o primeiro comício em liberdade de Mandela; Jerry, o futebolista traído por uma lesão; Jerry, o nosso guia da Cidade do Cabo, foi um belíssimo anfitrião, acima de tudo porque falou com o júbilo que só a paixão permite. Estamos certos que se não tivéssemos exteriorizado uma certa inquietação por conhecer in loco as coisas de que nos falava, continuaríamos ainda hoje estacionados em frente ao Hotel Tulip e já conheceríamos a história completa do futuro da África do Sul, segundo Jerry.
Quando no final do roteiro perguntámos a Jerry se a África do Sul estava preparada para receber o mundial de futebol ele respondeu simplesmente: “I am ready”. Nós também Jerry. Que a aventura comece.









Então o 3º dia desapareceu? E eu que pensava que estava acabado…
Eu é que estou acabado se não acabo o 3.º dia…
Melhores dias virão.