Entradas desde Junho 2008
[Chegámos a África. Aterrámos em Cape Town. São 6:30 da manhã. Apanhamos um táxi, aproveitamos e pedimos a um guia (Jerry) para nos orientar no único dia que passaremos na cidade. Ficamos alojados no Tulip Hotel, um hotel modesto mas muito bem localizado no centro da cidade. Um par de horas mais tarde, o Jerry vem-nos buscar.]

Entrámos para a carrinha do Jerry e ficámos estacionados em frente ao Hotel Tulip desde a chegada dos primeiros navegadores portugueses ao Cabo, passando pelo fim do Apartheid na África do Sul até ao futuro da sua selecção em 2010. Jerry fala pelos cotovelos. Evoca as epopeias dos descobrimentos mas vai revelando encobrimentos que julga poderem ter fugido ao olhar do turista branco. Emociona-se com a luta anti-racista. Envolve-nos com as suas memórias de um comício de Mandela após a sua libertação de Robben Island. E entusiasma-se especialmente quando se fala de futebol… Não, não é por causa do Cristiano Ronaldo. É por causa dele. Ele é que joga futebol. Conhece bem algumas das estrelas do futebol português mas prefere falar-nos sobre a traição do seu joelho que impediu a sua consagração como astro do futebol Sul-Africano. 2010 está aí ao virar da esquina e Jerry, apaixonado pela África do Sul e por futebol não consegue esconder a sua ansiedade.
Ao fim de léguas e léguas de história lá arrancámos para um périplo pelas principais atracções da Cidade do Cabo seleccionadas por Jerry: Castelo da Boa Esperança, Museu District Six, miradouro da Montanha da Mesa (Table Montain), V&A Waterfront… e a esplendorosa e magnífica baía.


Jerry, o grande contador de histórias; Jerry o menino que fugiu ao seu pai para ir ver o primeiro comício em liberdade de Mandela; Jerry, o futebolista traído por uma lesão; Jerry, o nosso guia da Cidade do Cabo, foi um belíssimo anfitrião, acima de tudo porque falou com o júbilo que só a paixão permite. Estamos certos que se não tivéssemos exteriorizado uma certa inquietação por conhecer in loco as coisas de que nos falava, continuaríamos ainda hoje estacionados em frente ao Hotel Tulip e já conheceríamos a história completa do futuro da África do Sul, segundo Jerry.
Quando no final do roteiro perguntámos a Jerry se a África do Sul estava preparada para receber o mundial de futebol ele respondeu simplesmente: “I am ready”. Nós também Jerry. Que a aventura comece.
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Este avião vai para a Cidade do Cabo. Saiu de Londres e vai demorar 11 horas a chegar à Cidade do Cabo da Boa Esperança. Mas nunca mais chega e o dia já vai longo. Lisboa, a Figueira e Coimbra já estão a muitas milhas mas pesam no corpo. África está a nossos pés mas a muitos outros de distância. O destino nunca mais chega. O corpo cede. Aproveita uns lugares vagos e cai no esquecimento.
Se costuma frequentar locais públicos como balneários, ginásios, hotéis, termas, dever usar sempre chinelos próprios, para evitar o contacto com doenças fúngicas (micoses), que são facilmente transmissíveis.
Londres já ficou na Europa. Obrigaram-nos a descalçar no aeroporto de Londres. Alheios aos conselhos do Instituto Português de Reumatologia sujeitaram os nossos pés a uma convenção multicultural de fungos. Dizem que é mais seguro assim. Mas não se percebe a disparidade de regras. Entramos em Lisboa, em Roma ou em Luanda com sapatos e acabamos descalços em Londres. (O que até não faz sentido nenhum porque é muito mais frio.)
A Guerra ao Terror é assim, feita de pequenos feitos e muitos defeitos. Desempenhámos o nosso pequeno papel retirando os sapatos.
Voamos para longe desses conflitos. Estamos neste avião para ter o privilégio de escapar aos cabeçalhos de drama e tragédia por uns fugazes 20 dias. O corpo pesa. A alma também.
Onze horas num cubículo com asas. Com o nitrogénio a expandir-se dentro dos nossos corpos, os lábios a secarem e o discernimento a rarefazer-se tal como o oxigénio. Mas, vai valer a pena. Não por causa do tamanho da alma mas pelo mundo diferente que nos aguarda. As paisagens nos guias de viagem fazem sonhar mas a realidade tem mais matizes e sons e cheiros e imperfeições. A realidade é desassossegada.
Categorias: Antes de partir
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“Select Books” é uma pequena livraria em Long Street na Cidade do Cabo. Tem uma boa colecção de livros sobre África, especialmente sobre a história da África do Sul. Para além das mais recentes publicações tem também um considerável fundo bibliográfico de obras raras.
David, o proprietário da loja, é um livreiro da velha guarda, sempre pronto a sugerir um livro e a partilhar o seu conhecimento - é um leitor que também vende livros. Envia publicações sobre a África do Sul para mais de trinta países, incluindo Portugal. (Falou-nos de um cliente de longa data que tem em Oliveira do Hospital!)
Um dos outros clientes famosos da Select Books é Martin Meredith, o autor de “The State of Africa” e do excelente “Diamonds, Gold and War: The Making of South Africa”, um livro que nos foi recomendado por David e sobre o qual voltaremos a falar aqui no blog. Segundo David, Martin Meredith é um devorador de livros e a Select Books fornece-lhe muitas das obras que enriquecem as suas bibliografias.
Quem estiver interessado em visitar uma pequena livraria com uma boa secção de história económica, social e natural da África do Sul pode visitar a Select Books em http://www.selectbooks.co.za/ ou, se possível, no número 232 da Long Street na Cidade do Cabo.
Categorias: Cidade do Cabo · Rol de livros · África do Sul
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