Cape to Delta

Entradas desde Janeiro 2008

Viajar em casa

Janeiro 28, 2008 · Sem Comentários

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Mini-guia da Cidade do Cabo no New York Times

Janeiro 27, 2008 · Sem Comentários

“CAPE Town is South Africa’s Los Angeles to Johannesburg’s New York — the glitzy, gorgeous, self-obsessed foil to its grittier, more serious and more powerful big sister. Which is not to say that it lacks a serious side. Cape Town holds its own with Johannesburg as a locus of South Africa’s liberation struggle, and no other African city combines heart-stopping beauty and historical gravitas so effortlessly.”

Para ler o resto do mini-guia publicado hoje no NYT acedam a:
36 Hours in Cape Town - New York Times

Categorias: Cidade do Cabo · Revista de imprensa
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24 de Janeiro de 2007

Janeiro 24, 2008 · Sem Comentários

“Aniversário consiste na combinação do dia e do mês em que a pessoa nasceu repetindo-se todo ano. [...]

É um evento que é comemorado por muitos tipos de cultura ao redor do mundo. É comum que se faça uma festa e todos cantem ao aniversariante a canção “parabéns pra você“. Algumas religiões não recomendam e algumas nem toleram a comemoração do aniversário.

Em algumas culturas o aniversário é comemorado 9 dias após a data de nascimento, o que traria mais sorte e felicidade no ano seguinte.”*

A nossa religião tolera a comemoração de aniversários? Caso seja permitido é preferível comemorar Sábado, dia 2 de Fevereiro? Será que deixando passar nove dias teremos a felicidade de voltar ao Okavango para o ano? Sendo comum cantar-se será melhor contratar o Coro de Santo Amaro de Oeiras? 

Curiosidade: António Silva nasceu a 15 de Agosto de 1886.

*“Aniversário.” Wikipédia, a enciclopédia livre. 27 Dez 2007, 21h05min UTC. 24 Jan 2008, 20h47min.

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Okavango Salgado

Janeiro 17, 2008 · Sem Comentários

Na sua edição n.º 776 de 17 de Janeiro, a revista Visão, para além de nos dar 83 dicas para poupar, brinda-nos com o “Portfólio Génesis: Botswana, as migrações do Okavango” - fotografias de Sebastião Salgado.
A dica n.º 76 convida-nos a poupar dinheiro assinando a “Visão” em vez de a comprar avulso. Não sei. Prefiro comprar poucas vezes, parece-me que poupo mais. Desta vez não resisti à combinação Okavango/Salgado e gastei € 2,80.
São nove fotografias (31 cêntimos cada fotografia!) a preto e branco tiradas no “delta do rio mais improvável do mundo”.

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Ecos de Tsumeb em 1975

Janeiro 7, 2008 · 1 Comentário

“Entra um português extremamente cansado e nervoso. Tem olhos encovados, a barba por fazer e está sujo, uma verdadeira personificação de impotência e abandono. Chama-se Humberto dos Anjos de Freitas Quental. É daqui, nasceu aqui – há mais ou menos cinquenta anos, calculo eu. Há uma semana, escapou para a Namíbia com a família. Deixou a mulher e os quatro filhos num acampamento para portugueses em Windhoek e decidiu voltar sozinho. Queria regressar porque a sua mãe tinha ficado em Pereira d’Eça [1]. A mãe dele tem oitenta e um anos e é dona de uma padaria há tantos anos quantos tem de vida o seu filho Humberto, que está aqui de pé, à nossa frente. Disse ao seu filho que não se ia embora e que continuaria a fazer pão, que é sempre necessário.

- E vocês próprios sabem – diz-nos Humberto – que em Pereira d’Eça têm pão fresco.

Sim, toda a unidade o sabe, vivendo como vivem do pão que faz aquela mulher e, além disso, não o pagando, porque este exército de libertação é de voluntários sem dinheiro. Quando ele partiu para ir levar a sua família para a Namíbia, a reserva de farinha estava a chegar ao fim e a sua mãe – que é surda e não compreende que se está em guerra e que, devido à idade avançada, já não compreende nada, a não ser que, enquanto o mundo for mundo as pessoas precisarão de pão – ordenou ao seu filho que voltasse com a farinha. Ficou ali sozinha; por isso, ele decidiu regressar e trazer-lhe farinha, que foi confiscada na fronteira, mas ele sabe que um camião com um carregamento de farinha chegou hoje de Lubango, o que significa que a sua mãe pode voltar a cozer pão e haverá de novo algo que comer de graça, porque ela não leva dinheiro.

- Nós todos adoramos aquela senhora, - diz Farrusco [2] – embora ela não esteja a nosso favor, mas é a favor da vida e do pão, o que basta. Os nossos trazem-lhe a água de que precisa. E trazem-lhe a lenha. E ela vai viver por tanto tempo quanto nós, ou talvez mais. Mas eu quero que tu contes a esta gente que veio de Lubango o que ouviste dizer em Windhoek e o que te disseram na estrada naquele lugar que se chama o quê?

- Chama-se Tsumeb – disse-lhe o filho da padeira – e fica a cerca de duzentos e cinquenta quilómetros daqui. Os portugueses que fugiram para lá dizem que brevemente o exército da África do Sul avançará sobre Angola e expulsará o MPLA. Diziam a mesma coisa em Windhoek. Diziam que o exército iniciaria a operação hoje, talvez amanhã. Têm veículos blindados e força aérea e ocuparão Luanda.

- Como o sabes? – perguntou Farrusco.

- É o que todos os portugueses dizem, - respondeu Humberto – embora seja segredo. Em Windhoek, vieram oficiais do exército sul-africano ao nosso acampamento perguntar quem tinha servido no exército e se alguém queria juntar-se às forças que iam atacar Angola. E em Tsumeb, no posto de gasolina, um branco disse-me que a cidade estava cheia de veículos blindados, que avançariam sobre Angola amanhã ou depois para acabar com os comunistas.

Farrusco disse ao filho da padeira que podia ir para casa. […]“

Kapuściński, Ryszard. 2007. Mais um dia de vida : Angola 1975. 2.ª edição ed. Porto: Campo de Letras. Pp. 54-55.

[1] Pereira d’Eça era uma pequena cidade situada no sul de Angola, no distrito de Cunene, a 31 quilómetros da Namíbia (na década de 1970 era o Sudoeste Africano). Tem actualmente o nome de Ondjiva ou N’Giva.

[2] Farrusco, filho de lavradores portugueses, foi, em 1975, comandante da única unidade do MPLA (com 120 elementos) “na frente do sul entre Lubango e a fronteira (450 quilómetros) e entre o Atlântico e a Zâmbia (1200 quilómetros)”.

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